Há semanas que correm assim, como devem correr, com os dias e as horas direitinhas e os intervalos para almoço e para café, tudo no tempo e no espaço certo. Há semanas feitas de dias organizados, agendados, dissecados em minutos e objetivos, e nas/nos quais é possível chegar ao fim como se chega ao final de uma lista de compras: check, check, check.
E depois há outras. Aquelas em que decidimos trabalhar muito e fazer muitas coisas, e uma filha "decide" ficar doente e trocar as voltas às mães e aos pais e provar-nos (como se isso fosse preciso) que de agendas estão os escritórios cheios e que a vida é mesmo assim, imprevista, e que só nos cabe desenhar castelos no ar e esperar que, talvez por sorte, eles sejam parecidos com aquilo que temos à frente.
Na semana passada - pintada de medicamentos e de tosses e de choros pequeninos cheios de dores - dei por mim a perceber, na primeira pessoa, aquilo que Sherry Turkle descreve no seu (fantástico e muito fácil de ler e perceber) livro "Alone Together": que a tecnologia cria uma ilusão de presença, de conetividade, de termos sempre alguém ao nosso lado.
Não tenho aqui o livro comigo - ficou em casa, o que é sempre bom sinal ^-^ - mas sei que algures naquelas páginas ela fala da presença, do estarmos sempre ligados, e de como - por vezes - a simples lista de contactos IM basta para nos fazer sentir menos sós.
É idiota? Talvez.
Mas na semana passada - cheia de medicamentos e de tosses e de coisas que felizmente já passaram - o meu telefone, com ligação à rede, deu-me uma sensação de "companhia" que de outra forma não poderia ter sentido. Sim, o facebook ajudou, ler mensagens e ver fotos facilitou a passagem do tempo. Mas, sobretudo, ajudou ver os meus amigos online: estavam ali, ainda que apenas fossem um nome com @ no meio.
Estavam ali. Eu não estava sozinha. Não completamente.
A Sherry diz coisas interessantíssimas, numa perspectiva um bocadinho "e agora, seremos ainda humanos ou cyborgs?", mas a verdade é que a tecnologia pode existir como barreira ao contato e às relações pessoais mas também pode servir para nos fazer sentir mais próximos uns dos outros. Mais presentes. À distância de dois cliques.
É ilusão, certo, e não é palpável. Mas os sentimentos também não... e nem por isso deixam de nos fazer sentir bem :)
e andamos nós a criar uma filha para ist