Há dias em que a palavras são maiores do que nos dias comuns. São grandes, ocupam espaço; dias em que sinto que podia escrever tanta e tanta coisa que hesito, e não escrevo, por me sentir esmagada pela imensidão daquio que queria dizer.
São palavras que são coisas sentidas, que me definem e ao mesmo tempo me tornam mais do que aquilo que sou.
amigos ideias chuva
Mariana amor
tu arte quente
letras folhas
É olhar para a pedra grande e ver a obra que lá está escondida, e ficar parada com o cinzel na mão. É amar a tela em branco, perfeita, porque nela está escondidamente contida toda a beleza que o meu pensamento consegue compreender.
Nestes dias não escrevo, apenas junto letras que formam palavras que passam ideias ou conceitos. Escrever é mais do que encher linhas, é tornar visível
o ar
a vida! o sentimento
escrever é materializar - e por isso mesmo definir e limitar - aquilo que, por ser imaterial, é infinitamente belo.
Gosto de escrever. Mas, hoje - porque me sinto esmagada e enamorada por aquilo que não me atrevo a dizer - prefiro deixar a folha em branco.
[investigador=aquele que investiga; "investigador"(entre aspas)=aquele que tenta investigar]
1. Gula - desejo insaciável de algo para além do necessário. Visível na recolha de textos, papers, na requisição de livros na biblioteca e na subscrição de bases de artigos que nunca se vão ler. Quando levado ao extremo pode conduzir a overload de informação, esgotamento e à sensação de que se está sozinho no mundo: "A senhora da biblioteca não me quer atender, ninguém gosta de mim"
2. Avareza- apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais. Numa primeira fase manifesta-se em expressões como "35 euros por um paper??? Eu acho isto no Google". O segundo estádio (quando o dinheiro deixa de ter importância) caracteriza-se pela ocultação de referências, pela não partilha de documentos com os colegas, podendo conduzir ao conhecido síndrome do "Tio Patinhas"
3. Luxúria - deixar-se dominar pelas paixões. Enebriamento relativamente ao projecto, ao prazer de poder vir a ter artigos publicados e de se ser reconhecido. Bate forte, passa rápido.
4. Ira - intenso e descontrolado sentimento de raiva, manifestado normalmente durante o segundo ano de investigação. Carcateriza-se por uma imensa vontade de mandar tudo ir dar uma volta ao bilhar grande e pela utilização exagerada e prolongada de vocalizações (i.e. "AAAAAAAAARRRRRRHHHHHHHHHHH!!!!!!" ). A actividade nas redes socias altera-se, deixando a partilha de links e incidindo mais na partilha de música violenta e agressiva. Os desabafos tornam-se constantes.
5. Inveja - desejo exagerado por posses, status e tudo o que o outro tem. O que se sente quando o nosso colega publica um artigo numa revista com IF, e nós não :P
6. Preguiça - aversão ao trabalho. O uniforme do investigador, considerado pela maioria como apenas "um estado de espírito". Mais provável de surgir à segunda-feira e durante o resto da semana.
7. Soberba - orgulho excessivo, arrogância e vaidade. Aquele que marca a diferença entre um "investigador" e um investigador. Aquele pecado que, no fundo, todos nós gostaríamos de experimentar.
e andamos nós a criar uma filha para ist