Um dos pontos-chave dos meus trabalhos de doutoramento é a definição de um modelo que me permita a análise da presença online/identidade online dos indivíduos - uma coisa que não tinha previsto (modelos de análise há-os para todos os gostos e finalidades) mas que, aos poucos, se foi tornando mesmo importante.
Sendo a minha amostra uma amostra por conveniência - alunos do MCMM, de duas turmas/anos diferentes - o modelo terá, com toda a certeza, algumas limitações... mas vamos indo e vamos vendo :). Para já, e depois de analisar os dados recolhidos pelas entrevistas, tenho percebido que:
- na rede, existem dois grandes tipos de "identidade": as que se orientam pelo contexto, e as que se orientam pelo utilizador;
- é possível identificar alguns padrões ao nível da construção da identidade;
- existe, efetivamente, uma consciência relativamente à exposição e visibilidade dos conteúdos publicados e às implicações que estes têm na construção de uma reputação "digital".
Quer se opte por uma representação mais orientada para o contexto - filtrando conteúdos de acordo com a plataforma utilizada, gerindo os contactos, adotando (ou não) medidas mais apertadas ao nível da privacidade e da gestão da identidade digital - ou para o utilizador - publicando conteúdos independentemente do espaço -, os indivíduos estão, efetivamente, a construir na rede uma presença que reflete os seus interesses, experiências, e que poderá ter - ainda que não o percebam - um grande impacte no seu futuro enquanto alunos, investigadores, profissionais. Estão, na rede, a construir uma identidade que reflete o seu percurso enquanto apredentes e indivíduos, o que torna - na minha opinião - a temática da identidade online uma temática de grande interesse e pertinência.
Hoje, na rede, fala-se da Internet segura, da proteção das crianças e jovens, da privacidade e da segurança. Pontos importantes, certo. Os alicerces, diria até, para o que poderá ser um dia uma reflexão sobre coisas mais complexas, quando o "real" e o "digital" já não duas dimensões distintas mas uma única forma de estar.
Gostava de poder discutir estes assuntos - da privacidade, da reputação, do contexto - com mais pessoas. Alguém está interessado em partilhar um chá (com ou sem biscoitos) ao final do dia, enquanto conversamos sobre estas coisas? :)
[investigador=aquele que investiga; "investigador"(entre aspas)=aquele que tenta investigar]
1. Gula - desejo insaciável de algo para além do necessário. Visível na recolha de textos, papers, na requisição de livros na biblioteca e na subscrição de bases de artigos que nunca se vão ler. Quando levado ao extremo pode conduzir a overload de informação, esgotamento e à sensação de que se está sozinho no mundo: "A senhora da biblioteca não me quer atender, ninguém gosta de mim"
2. Avareza- apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais. Numa primeira fase manifesta-se em expressões como "35 euros por um paper??? Eu acho isto no Google". O segundo estádio (quando o dinheiro deixa de ter importância) caracteriza-se pela ocultação de referências, pela não partilha de documentos com os colegas, podendo conduzir ao conhecido síndrome do "Tio Patinhas"
3. Luxúria - deixar-se dominar pelas paixões. Enebriamento relativamente ao projecto, ao prazer de poder vir a ter artigos publicados e de se ser reconhecido. Bate forte, passa rápido.
4. Ira - intenso e descontrolado sentimento de raiva, manifestado normalmente durante o segundo ano de investigação. Carcateriza-se por uma imensa vontade de mandar tudo ir dar uma volta ao bilhar grande e pela utilização exagerada e prolongada de vocalizações (i.e. "AAAAAAAAARRRRRRHHHHHHHHHHH!!!!!!" ). A actividade nas redes socias altera-se, deixando a partilha de links e incidindo mais na partilha de música violenta e agressiva. Os desabafos tornam-se constantes.
5. Inveja - desejo exagerado por posses, status e tudo o que o outro tem. O que se sente quando o nosso colega publica um artigo numa revista com IF, e nós não :P
6. Preguiça - aversão ao trabalho. O uniforme do investigador, considerado pela maioria como apenas "um estado de espírito". Mais provável de surgir à segunda-feira e durante o resto da semana.
7. Soberba - orgulho excessivo, arrogância e vaidade. Aquele que marca a diferença entre um "investigador" e um investigador. Aquele pecado que, no fundo, todos nós gostaríamos de experimentar.
e andamos nós a criar uma filha para ist