Sexta-feira, 19.02.10

Um dia irei ter apenas um endereço de e-mail. Um dia, usarei apenas um computador para trabalhar. Um dia não terei de pensar se sou yahoo, gmail, hotmail, ua ou afins.

 

Este "manifesto", à partida um pouco incompreensível, tem um fundamento lógico: tenho andado a ler a tese de doutoramento da senhora Boyd (Faceted Id/entity, 2002) :P.

Nesse extenso e interessantíssimo documento, Boyd reflecte sobre a questão da socialização, da importância do contexto, da auto-consciência, da gestão da identidade nas interacções sociais... e sobre a importância do utilizador ser "dono" da sua identidade na rede - perspectivas interessantes para quem anda a desenhar novos sistemas ;)

 

Boyd defende que a identidade do indivíduo não é, como outros autores afirmam, inerentemente fragmentada: diz, sim, que nos diversos ambientes sociais em que se move, o indivíduo gere as múltiplas facetas da sua identidade, ajustando-as ou moldando-as de acordo com o contexto.

Diz, ainda, que esta multiplicidade de facetas não indicia o colapso do indivíduo mas antes mostra o controle que este possui sobre a forma como se apresenta no dia-a-dia.

Contudo, em ambiente online, as coisas ficam mais delicadas: num universo em que os contextos se diluem e em que toda a informação e impressões sobre determinado indivíduo podem ser recuperadas com um simples search, a gestão e o controle da identidade tornam-se dimensões indispensáveis para o bem-estar do indivíduo e para o estabelecimento de interacções sociais, agora quase descontextualizadas.

 

Ainda de acordo com Boyd, um dos mecanismos de controle quase inconscientemente adoptados pelos utilizadores foi a criação de múltiplas contas de e-mail. Uma vez que a associação de dados e informação terá por base, na maior parte das vezes, a agregação por contas de e-mail ou nomes, os indivíduos criam contas associadas a contextos particulares (o exemplo mais óbvio será a separação entre o endereço de e-mail pessoal e profissional). 

Pela gestão destas múltiplas contas, voltam - de certa forma - a ganhar algum controle e privacidade, criando uma espécie de "localização virtual":

"By mantaining multiple accounts, users associate context locally. In other words, (...) one can mantain an accout that represents a specific face and present oneself throug that." (Boyd, 2002:42)


Não subscrevo inteiramente mas entendo e aceito esta perspectiva: se com a minha família sou a Quinha "boa onda" mas que vai dos zero aos cem em 4.3 segundos, no trabalho sou Mónica correcta e controlada.

Na rede, as coisas passa-se de forma idêntica: embora seja maresta para todos, o código é diferente de acordo com o interlocutor. 

Como me articulo entre ambientes demasiado formais e outros quase informais, uso diferentes contas para diferentes contextos. Isto permite-me fazer não apenas a gestão da identidade mas também a organização das mensagens e interacções (e evita andar sempre a reclamar por ter muitos e-mails para ler - dividir para conquistar, right?  :P)

 

Gostei de ler esta tese, confesso. Primeiro, porque fiquei mais descansada quanto ao potencial esquizofrénico da minha identidade. Depois, porque percebi ainda mais a lógica e a justificação por detrás de um projecto como o do SAPO CAmpus, que pretende integrar, numa única plataforma e com uma única "identidade", um conjunto de recursos sem os quais já não conseguimos passar.

 

Yep... one day, we all will stand together :) 


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Quarta-feira, 16.12.09

The past few days I’ve been reading a lot about identity, privacy, and self.


According to The free Dictionary, identity is, among other things, “the collective aspect of the set of characteristics by which a thing is definitively recognizable or known”.


On another text (which I can’t find now…) I also read that, although identity comes from the Latin word idem – meaning “the same thing” – it is built on many different aspects of the “self”: the one we think we are, the one we show to others, the one made of what other people think we are. Identity could be, then, described as a kind of a puzzle, made of different and multi-coloured pieces.


In virtual world, where the authenticity of the self is “disembodied” from physical aspects like skin colour, voice tone, fingerprints, the different dimensions referred above are, in a certain way, blurred. We, in a certain manner, are what we publish. The pictures we choose to add to our profile. The opinions we write, the comments we make. Our identity, then, is constructed trough our own activity on the network, leaving digital prints that can last forever. Like taking the red pill, there’s no turning back.  


Not being a “privacy freak” – if I don’t want people to read what I think, than I shouldn’t publish, right? – I take special care when selecting the media I use and content I share to project myself on the screen. But, in an age where any mobile phone is a video camera, where conversations are recorded and published on newspapers, and where people are added to friend’s list without being asked, this privacy things are somehow harder to control.


Our picture can be tagged on Facebook without our permission or knowledge, anyone can create a twitter account with our photo, name and general information. It happened before, it can happen again, and it is happening now (via @josiefraser). Kind of a dark side of the web: uncontrolled, unauthorized, unrestrained.



 


So, what can we do? Run away? Delete all accounts? Or should we try to study, develop and create virtual spaces where our identity is protected (through authentication mechanism, for example) and/or associated with other people and institutions? 


And if we could have a space like that, where we could create, share, publish, upload images and videos, built our own authentic space, would we take it? Or would we prefer the risk of a non-controlled environment, where all our selves could construct their (our) own identity? ;)


 


(back to readings…)


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