os meus posts têm sido tão moralistas e catequéticos que devo ter passado a imagem que sou uma pessoa entediante. e sou :P. posto isto, continuarei a escrever mas, desta vez, para FALAR BEM desta coisa da presença na rede.
há dias, numa das minhas leituras, fui parar a um texto da senhora boyd (com que simpatizo nem que seja por escrever o nome próprio em minúsculas) que me deixou a pensar.
no seu post "Risk Reduction Strategies on Facebook", boyd apresenta o caso de duas jovens que - ao contrário do que é comum - utilizam o seu mural do Facebook como o visor dos telemóveis antigos onde só cabia uma mensagem de cada vez.
caso #1 - "Mikalah uses Facebook but when she goes to log out, she deactivates her Facebook account. She knows that this doesn’t delete the account – that’s the point. She knows that when she logs back in, she’ll be able to reactivate the account and have all of her friend connections back. But when she’s not logged in, no one can post messages on her wall or send her messages privately or browse her content. But when she’s logged in, they can do all of that. And she can delete anything that she doesn’t like."
caso #2 - "Shamika doesn’t deactivate her Facebook profile but she does delete every wall message, status update, and Like shortly after it’s posted. She’ll post a status update and leave it there until she’s ready to post the next one or until she’s done with it. Then she’ll delete it from her profile. When she’s done reading a friend’s comment on her page, she’ll delete it. She’ll leave a Like up for a few days for her friends to see and then delete it."
se isto à primeira vista parece estranho, à segunda também. mas quando lemos a justificação que as meninas apresentam a coisa até passa a fazer sentido. Mikalah defende que está a tentar minimizar os riscos quando não está online para os enfrentar. quanto à Shamika (e de repente senti-me num restaurante japonês a tentar escolher pratos), diz que quer evitar problemas e, por isso, deixa as mensagens no mural enquanto têm actualidade e interesse. quando a/o perdem, apaga.
são maneiras no mínimo unusuals (ia dizer inusuais, num paralelo com um colapsar que ainda hoje me dá riso) de gerir uma identidade. diria, até, que neste caso as raparigas não usam o Facebook como um meio de construção da identidade mas, antes, como uma parede onde vão colando cartazes um por cima do outro.
e que, de certa forma, vão contra a ideia que eu tenho de presença na rede: não um universo alternativo, não um escape, mas antes um registo, uma espécie de e-diário ou e-book. um filme, uma auto-biografia. algo que, um dia, deixaremos para outros verem.
talvez por isso tenha gostado tanto deste vídeo. porque representa, em poucos minutos e debaixo de uma música bem mandada, aquilo que é/ que pode ser a nossa vida na rede. desde um sign in, até a um "logoff".
espero que este post já não tenha sido tão chato. se foi, a culpa é do Luís Pedro, que me enviou o vídeo enquanto eu estava a tentar ler alguma coisa.
e andamos nós a criar uma filha para ist