Ontem tentei escrever sobre um link que encontrei mas não saía nada de jeitoso e acabei por desistir. Fiz bem... hoje, assim que abri a gaiola, um dos meus passarinhos twittou isto: "New on the blog: The Internet, Privacy, and You".
O link publicado pelo Bruno remete-nos para o seu blog onde, num fundo preto e verde inspirado na saga do Harry Potter, surge este diagrama:
Concordo em pleno. Tal como os segredos só são secretos enquanto não são partilhados, também a informação que publicamos na rede deixa de nos pertencer e de por nós ser controlada: passa a fazer parte da rede, espalha-se, torna-se orgânica.
Ontem, por exemplo, assustou-me perceber que há motores|aplicações|coisas que conseguem reunir, num só mapa, toda (ou quase toda) a nossa presença na rede. Apesar de já saber que estas coisas existem e de ter (mais) cuidado com o que coloco na rede, meteu-me certo medo ver a informação aparecer assim, em postas, descontextualizada, um aglomerado de dados e presenças sem qualquer explicação ou legenda.
O que deveremos, então, fazer? Tomar o comprimido azul (o primeiro Matrix deve ter sido pensado na era pré-Viagra) e tentar esquecer que a rede existe? Passar a olhar para a web como um bicho mau? Ter ainda mais cuidado com o que publicamos?
Pah, não sei. É daquelas questões existenciais que nos podem tirar o sono se pensarmos muito nelas :P
Para já, e assim de repente, parece-me boa ideia preencher o "about me", o "sobre mim" nas páginas de perfil. Explicar - ainda que não tenhamos essa obrigação - que determinado blog é pessoal e por isso podem aparecer coisas lamechas, que outro é mais académico e que por isso a possibilidade de surgirem afirmações pseudo-intelectuais é mais que muita. Ou que aquelas fotos foram tiradas numa peça de teatro e que não, não sou um travesti.
Contexto, meus filhos, contexto. Num universo feito de redes sem fios e de presenças sem corpo, parece-me que o contexto é cada vez mais importante.
A minha professora de português do 10º ano, se lesse isto, ia ficar orgulhosa de mim :)
e andamos nós a criar uma filha para ist