Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010

Uma das apresentações sobre identidade de que mais gosto (esta frase soa mal como tudo... :S) é aquela feita pelo meu grande amigo Carlos Santos e que pode ser consultada aqui.

 

É sempre arriscado comentar um filme sem som, mas daquilo que percebi é uma apresentação que apresenta (continuamos com frases parvas) o caso do David Fonseca como um exemplo* de alguém que tem uma forte presença na rede. Cruzando isto com uma primeira leitura deste post, poderemos ficar com a ideia que expomos, todos os dias, demasiada informação na rede. Podemos, ainda ficar com a ideia que qualquer pessoa, com duas ou três pesquisas, pode ficar a saber quase tudo sobre nós. E aqueles velhos medos que nos assolavam no liceu - quando alguém que gostava de nós nos perseguia em todos os intervalos, ou vice-versa - regressam como cogumelos depois das primeiras chuvas.

 

Mas será assim mesmo? Será? Será?

 

Depende :P. No caso do senhor David, podemos ser fã(nático)s e tê-lo associado a todas as nossas contas, comentar todas as fotos que ele publica (juro que não entendo como alguém pode insistir em publicar comentários do género "pah, David, estive na 25ª fila no teu concerto, viste-me?, era o gajo que estava às cavalitas do colega" quando sabe, ou devia saber, que não vai obter resposta), mas ficar a saber pouco ou nada sobre a vida dele. A vida, aquela que é privada, pessoal. O senhor David sabe o que faz.

 

Nos dias que correm é praticamente impossível permanecer fora do mundo digital e, consequentemente, da produção de uma identidade online (Warburton, 2009). Isto quererá dizer que devemos fugir da rede como se fôssemos um cardume? Não, meus caros padwans, não.

Quer dizer, apenas, que devemos investir na formação de uma consciência digital. Que temos de perceber que aquilo que deixamos na rede (e por vezes fora dela) fica associado à nossa identidade, como uma espécie de tatuagem: até a podemos tentar remover ou tentar esconder, mas vai haver sempre alguém que, algum dia, vai perguntar "não eras aquele que tinha uma Kitty tatuada no joelho direito?"

 

Por isso aqui fica o conselho que ninguém pediu, enquanto vou ler umas coisas e já volto: tomemos consciência que as fronteiras entre o público e o privado, entre o académico e o profissional, entre o lazer e o formal, são cada vez mais ténues ou quase inexistentes quando entramos - por nossa vontade ou pela dos outros - nesta espécie de Skynet. E que, por isso mesmo, temos de ser conscientes quanto à quantidade e qualidade de informação que desejamos que fique associada à nossa identidade. 

Tudo bem que não nos é possível controlar a informação que os outros publicam sobre nós. Mas podemos sempre tentar desmentir :P

 

*exemplo no sentido de "olha um exemplo do que te disse", não no sentido de "este rapaz é um exemplo". até pode ser, não sei, mas o sentido neste caso não é esse. 


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1 comentário:
De carlossantos a 21 de Outubro de 2010 às 13:37
Da próxima vez convido-te para fazer a apresentação comigo! Tu percebes muito bem a ideia geral... mesmo sem "som" :)


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