Terça-feira, 5 de Junho de 2012

 - Gostas de mim?

- Sabes que sim.

- Porquê?

 

Ah, este nosso hábito de classificar, codificar e avaliar tudo em palavras. As coisas - objectos, sentimentos, criaturas - só existem quando uma designação lhes é dada, como se as coisas e os objectos e os sentimentos se resumissem e definissem pelas letras que compõem o seu nome.

Precisamos de explicação para tudo. Tudo tem de ter uma razão, um sentido, analisado com um método. Um "sim" não nos basta, e um "não" tem de ter um porquê. Aquilo que não conhecemos perturba-nos, aquilo que não sabemos como definir tira-nos o equilíbrio.

Precisamos de estabelecer uma relação entre isto e aquilo, saber onde tudo fica, para que o cérebro - que se habituou à lógica e à matemática e à razão que o coração desconhece - compreenda, perceba, classifique, para que assim tudo faça sentido. 

 

E dizemos que é amizade ou mais que isso, que é amor ou menos um pouco, que é paixão mas não tão quente quanto. E isso cansa. E como acreditamos - pela experiência que achamos ter - que as palavras perdem o sentido quando as dizemos muitas vezes (experimentem dizer céu vezes sem conta, e perceberão o que quero dizer com isto), evitamos repeti-las e guardamos, para quando e quem merece, aquelas (palavras) que nos são caras.

Ou então codificamos. E o amor é filial, ou paternal, ou conjugal. E temos melhores amigos, e amigos de ocasião. E tentamos - nesta ânsia insana de designar e codificar tudo - criar escalas de valores para, num olhar mais ou menos demorado, sermos capazes de perceber onde nos encontramos. Onde colocamos o outro relativamente aos outros. Onde fica aquilo que sentimos e que, ainda não sendo amor, também já não é amizade.

 

- Gostas de mim?

- Sim.

 

Desta vez não perguntei porquê. E assim fiquei feliz.

 

 




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