Quinta-feira, 3 de Maio de 2012

 

O António falava, como poucos o souberam fazer antes ou depois, deste estado que nos enrola e se enrola no peito e traz, aos dedos e aos lábios, a vontade de fazer algo que ainda não sabemos bem o que é. Uma vontade de olhar para o lado, de tentar ser super-homem e ver mais além do que as paredes e as nuvens que nos limitam o horizonte.

Inquietude.

Começa no peito, não é? Assim como uma coisa. Orgânica. Feita de vontades e desejos daquilo que ainda não se sabe mas que já se sente.

E depois passa para os ombros. Gosta das curvas, a inquietude (talvez seja por isso que nós, mulheres, somos mais inquietas e inconstantes que os homens: amamos a curva e a descida súbita, como se - na vertigem da curva e da descida - conseguíssemos gritar aquilo que nos consome).

E passamos a mão pelo cabelo, e detemos os dedos no pescoço (como a carícia que desejamos não sabemos de quem), e mordemos os lábios por dentro enquanto o nosso rosto - e o nosso corpo - se mantém sossegado escondendo, nesse sossego, a agitação que sentimos por dentro.

Agitação. É isso. 

Será?

(cerro as mãos com força. nunca, mas nunca, deixarei que a inquietude que me arde passe para as teclas que tenho debaixo dos dedos)

Respiro fundo. Respiramos. Respiremos, portanto.

E elevemos os olhos com a tranquilidade que sabemos ter quando é preciso, e respondamos com sorrisos, e sejamos afáveis e cordiais.

A inquietude, essa - aquela que se enrola no peito na vontade de fazer ainda não se sabe o quê - fica. Sempre. Como o segredo que guardamos e que nos faz, a nós mulheres, ser diferentes de todos os outros.

 

 

(David Fonseca. um outro inquieto. aposto)




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