Desde que me meti nestas coisas de mestrado e doutoramento que sempre me senti um passo atrás relativamente a todos os meus colegas. Na sua maioria professores (do ensino básico, secundário ou superior), sabiam de trás para a frente aquelas coisas dos estádios de desenvolvimento, e falavam, sabendo do assunto, de como uma criança aprende manipulando objetos, e formas, como aprende pela repetição ou pela interação com os outros.
Eles falavam, eu ouvia e tomava notas. E, depois, quando chegava a casa, ia procurar saber mais sobre aquilo que - para mim - eram as bases de qualquer coisa que dissesse respeito à educação. Mas depois esquecia-me, porque aquilo que tentamos aprender porque achamos que precisamos de saber fica (tenho a certeza) guardado na memória de curto prazo e, como os peixinhos, basta duas voltas ao aquário para tudo se desvanecer.
E pronto. Tal como a data de aniversário da minha mãe (que por muito que me esforce nunca sei se é a 10 ou 14 de Outubro), há coisas que não fixo nem à martelada e acabei por me habituar a, de cada vez que o tema vinha à baila, ir procurar os papéis onde tinha anotado o significado das coisa.
Mas depois veio a Mariana :). Para quem não sabe - há ainda quem não saiba? :P - a Mariana é a minha grande obra, o meu projeto maior que o mestrado e o doutoramento, a minha mini-me. E, com ela, percebi que estas coisas dos estádios e das aprendizagens não são um bicho de sete cabeças, e que o aprender - a manipular, a falar, a comunicar - é tão natural como comer uma laranja: suja, pode ser doce ou amargo, mas sabe e faz sempre bem.
E que, mais importante que saber tudo isto, é poder ver tudo isto; ver uma criança crescer; ver que há coisas que têm de ser ensinadas - como as cores, que ela já sabe =) - e há coisas que se aprendem e apreendem naturalmente - como encaixar cubos uns nos outros, ou ordenar objetos do maior para o mais pequeno.
Tudo isto não significa que desvalorize as coisas dos estádios e do desenvolvimento, ou que tenha desistido de saber mais sobre o assunto. Pelo contrário, interessa-me cada vez mais!
Mas, tal como quem tira as fotos nos passeios acaba, na maior parte das vezes, por registar pedaços e não aproveitar o todo, decidi que (pelo menos para já) me vou deixar de ler sobre os detalhes crescimento e cognição... e dedicar-me ao verdadeiro "trabalho de campo" :) .
e andamos nós a criar uma filha para ist