É sempre estranho quando a vida nos coloca, à frente, amigos que já foram há algum tempo e que entretanto deixaram de ser. Opções de vida diferentes, percursos diferentes, experiências diferentes. Pessoas diferentes. (re)Encontrar amigos que não se vêm há muito é estranho. Já não somos o que éramos, já vivemos separados, aquilo que nos foi fazendo ser não é - impossível - aquilo que o outro viveu.
E fica a estranheza. O não saber como agir.
Como os legumes que se congelam e assim permanecem, frios e secos, definhando lentamente durante tempos e tempos, também as amizades congeladas - quando recuperadas - não voltam a ser o que eram. Perdeu-se algo. Perdeu-se tempo. Perdeu-se vida.
E sente-se a estranheza. O não saber como agir.
Tenta-se partir do ponto onde se ficou? Tenta-se, em dois ou três dedos (de conversa e de mão dada) voltar a fazer a ligação que havia antes? Volta-se atrás? Segue-se em frente?
Recuperar as ligações com pessoas que continuam importantes mas que deixaram de fazer parte é difícil, e delicado. Sente-se a obrigação de explicar, de esclarecer, de justificar, de quase pedir desculpa. E pedir desculpa é sempre um mau início. É recomeçar onde não se parou.
Porque quando as pessoas são e fizeram parte de nós, continuaram a crescer connosco.
Mesmo que tenham deixado de fazer parte.
e andamos nós a criar uma filha para ist