Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

Há semanas que correm assim, como devem correr, com os dias e as horas direitinhas e os intervalos para almoço e para café, tudo no tempo e no espaço certo. Há semanas feitas de dias organizados, agendados, dissecados em minutos e objetivos, e nas/nos quais é possível chegar ao fim como se chega ao final de uma lista de compras: check, check, check.

E depois há outras. Aquelas em que decidimos trabalhar muito e fazer muitas coisas, e uma filha "decide" ficar doente e trocar as voltas às mães e aos pais e provar-nos (como se isso fosse preciso) que de agendas estão os escritórios cheios e que a vida é mesmo assim, imprevista, e que só nos cabe desenhar castelos no ar e esperar que, talvez por sorte, eles sejam parecidos com aquilo que temos à frente.

 

Na semana passada - pintada de medicamentos e de tosses e de choros pequeninos cheios de dores - dei por mim a perceber, na primeira pessoa, aquilo que Sherry Turkle descreve no seu (fantástico e muito fácil de ler e perceber) livro "Alone Together": que a tecnologia cria uma ilusão de presença, de conetividade, de termos sempre alguém ao nosso lado.

Não tenho aqui o livro comigo - ficou em casa, o que é sempre bom sinal ^-^ - mas sei que algures naquelas páginas ela fala da presença, do estarmos sempre ligados, e de como - por vezes - a simples lista de contactos IM basta para nos fazer sentir menos sós.

 

É idiota? Talvez. 

Mas na semana passada - cheia de medicamentos e de tosses e de coisas que felizmente já passaram - o meu telefone, com ligação à rede, deu-me uma sensação de "companhia" que de outra forma não poderia ter sentido. Sim, o facebook ajudou, ler mensagens e ver fotos facilitou a passagem do tempo. Mas, sobretudo, ajudou ver os meus amigos online: estavam ali, ainda que apenas fossem um nome com @ no meio.

Estavam ali. Eu não estava sozinha. Não completamente.

 

A Sherry diz coisas interessantíssimas, numa perspectiva um bocadinho "e agora, seremos ainda humanos ou cyborgs?", mas a verdade é que a tecnologia pode existir como barreira ao contato e às relações pessoais mas também pode servir para nos fazer sentir mais próximos uns dos outros. Mais presentes. À distância de dois cliques.

É ilusão, certo, e não é palpável. Mas os sentimentos também não... e nem por isso deixam de nos fazer sentir bem :)




Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

No dia 18 de Outubro de 2004, num outro espaço, escrevi isto:

 

 

"copy paste

ultimamente passo mais tempo em frente ao monitor que em frente às pessoas... o meu dia-a-dia pode traduzir-se em cinco a seis linhas... todas em arial 10, espaçamento simples, sem tabulações. 



 

dou por mim a concluir que se a vida fosse uma sucessão de copy-paste, tudo seria mais simples...


claro que esta conclusão não surgiu do nada... tem a sua origem no exame de sábado*, onde mais que nunca senti falta do meu computador (é incrível com a pessoa se desabitua a escrever com a caneta... o que eu dava nessa altura pelo meu monitor e o meu teclado...). após essa manhã extraordinária, apercebi-me que se pudesse fazer "undo" a uma série de factos e acontecimentos na minha vida, tudo seria mais simples. ok, menos emocionante, mas definitivamente mais simples... 


 

no mundo de hoje, cada vez mais a vida está organizada como num ambiente "windows" - separamos o trabalho da vida de casa (em pastinhas diferentes, para não misturarmos as coisas...), separamos os amigos da família (estão dentro da mesma pasta, mas em sub-pastas diferentes), separamos amores antigos do amor presente...


colocamos coisas no "lixo", mas nunca as apagamos... ou criamos uma pasta "lixo para rever", onde colocamos alguns factos passados, à espera do momento em que nos decidamos a apagar de vez certas coisas... (essa minha pasta está cada vez mais cheia... já ocupa demasiado espaço em disco).

e, de vez em quando, como alguém me disse uma vez, fazemos um reset... e volta tudo ao princípio, os temporários apagam-se, o sistema fica limpo... ou seja, ficamos com a tela em branco para podermos riscar e apagar de novo...


sim, cada vez mais nos parecemos com realidades virtuais... gostamos das vozes que nunca ouvimos, temos fotos de pessoas que nunca conhecemos, criamos nicks e alter-egos para nos darmos a conhecer ao mundo... 



 

não sei se esta situação será perigosa, mas é certamente um "case-study" digno de interesse..."

 

 

*exame de TCED, dado pelo Carlos, num auditório e sem acesso a computador :P

 


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Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

Um dos pontos-chave dos meus trabalhos de doutoramento é a definição de um modelo que me permita a análise da presença online/identidade online dos indivíduos - uma coisa que não tinha previsto (modelos de análise há-os para todos os gostos e finalidades) mas que, aos poucos, se foi tornando mesmo importante.

Sendo a minha amostra uma amostra por conveniência - alunos do MCMM, de duas turmas/anos diferentes - o modelo terá, com toda a certeza, algumas limitações... mas vamos indo e vamos vendo :). Para já, e depois de analisar os dados recolhidos pelas entrevistas, tenho percebido que:

- na rede, existem dois grandes tipos de "identidade": as que se orientam pelo contexto, e as que se orientam pelo utilizador;

- é possível identificar alguns padrões ao nível da construção da identidade;

- existe, efetivamente, uma consciência relativamente à exposição e visibilidade dos conteúdos publicados e às implicações que estes têm na construção de uma reputação "digital".

 

Quer se opte por uma representação mais orientada para o contexto - filtrando conteúdos de acordo com a plataforma utilizada, gerindo os contactos, adotando (ou não) medidas mais apertadas ao nível da privacidade e da gestão da identidade digital - ou para o utilizador - publicando conteúdos independentemente do espaço -, os indivíduos estão, efetivamente, a construir na rede uma presença que reflete os seus interesses, experiências, e que poderá ter - ainda que não o percebam - um grande impacte no seu futuro enquanto alunos, investigadores, profissionais. Estão, na rede, a construir uma identidade que reflete o seu percurso enquanto apredentes e indivíduos, o que torna - na minha opinião - a temática da identidade online uma temática de grande interesse e pertinência.

Hoje, na rede, fala-se da Internet segura, da proteção das crianças e jovens, da privacidade e da segurança. Pontos importantes, certo. Os alicerces, diria até, para o que poderá ser um dia uma reflexão sobre coisas mais complexas, quando o "real" e o "digital" já não duas dimensões distintas mas uma única forma de estar.

 

Gostava de poder discutir estes assuntos - da privacidade, da reputação, do contexto - com mais pessoas. Alguém está interessado em partilhar um chá (com ou sem biscoitos) ao final do dia, enquanto conversamos sobre estas coisas? :)


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