Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

Tenho pensado muito nisto, no amor. Um pensamento estranho - contudo incontrolável e incontornável -, quando as notícias só falavam de crise, de solidão, de falta de afecto... não é?

 

Este fim-de-semana, num dos projetos em que me envolvo uma vez por mês, tive acesso a uma lista de nomes de pessoas que, este ano, fazem 50 anos de casados. 50 anos. Cinquenta. Casados em 1962, quando o namoro era pouco mais ou muito menos que um beijo, quando não se gostava - porque não se conhecia nem se sabia - dos mesmos filmes, dos mesmos livros, das mesmas viagens ou da mesma música.

E foi isto mesmo que me fez pensar no amor. Que amor é este, que amor foi este, como surgiu este amor num tempo em que o namoro (como nós o conhecemos) não existia? O que terá levado estas pessoas a gostarem uma da outra, e a decidirem construir - ao longo de uma vida felizmente longa - uma vida feita de duas vidas?

 

Ontem, o vídeo que o Luís partilhou no Facebook fez-me de novo pensar nestas coisas. Lembrei-me de um casal que tenho o privilégio de conhecer: os dois na casa dos 70, ele com o corpo dobrado pelo tempo e ela com a mente quebrada pelo alzheimer.

Passeiam os dois, de braço dado, ela a perguntar - de cinco em cinco, de dez em dez minutos - o nome das pessoas com quem se cruzam. E, de todas as vezes, ele aperta-lhe na mão e responde com doçura: "é a Mónica, é o Carlos, é...". Vez após vez. Repetição após repetição. Sorriso após sorriso. Sem nunca se cansar, sem nunca se irritar. Uma tarde inteira. 

E eu pergunto, na ignorância dos meus 36 anos: que amor é este, paciente e que nunca se enerva? Que afecto é este que dura e se renova enquanto as memórias se apagam?

 

E lembro-me, ainda, daquela senhora que aos vinte e poucos anos fica viúva, com quatro filhos pequenos, aos quais não deseja impor o amor de um novo pai. E de como - vinte anos depois - recebe com doçura e gratidão o amor de um homem que a amou toda a vida, que respeitou o desejo dela e esperou, durante todo esse tempo, pela retribuição e confirmação do amor que sempre sentiu. E que viveu, com ela e junto, 16 anos de uma felicidade imensa.

E eu pergunto: que amor é este, feito de fé, que perdura ao longo de duas décadas, alimentando-se do desejo e da promessa de vir a ser - um dia - aquilo que durante esse tempo foi só uma esperança?

 

São histórias que conheço, que me são próximas e para as quais olho com carinho.

Porque um dia gostava de responder às questões que coloco hoje. Porque olho para mim, para nós...

e penso que nos faz falta amar assim...

 

 

 

 




Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Tudo isto da PIPA, da SOPA e da ACTA, juntamente com a ideia peregrina do PL118 sobre os direitos de autor não são fogo de artifício. Não são coisas simples, como ouvi dizer, ou coisas não importantes que estão a ser alvo de um destaque exagerado.

São coisas preocupantes. São o princípio do fim da Internet, tal como a conhecemos.

 

Para uns, Internet é sinónimo de chat e Facebook. Para outros, é lugar para descarregar torrents, e ver filmes, e engatar miúdas ou intimidar miúdos. Para outros é um repositório de informação sempre crescente. 

Para mim, a Internet é liberdade.

Houve uma altura em que se constou que alguém/alguns pensavam indicar a Internet para o prémio Nobel da Paz. Na altura brinquei com o facto, e fui chamada à atenção por um amigo que me disse que a Internet, a rede, significava - para ele - aquilo que significa para mim agora: liberdade. Liberdade de comunicar, de partilhar, de trocar ideias. Liberdade de e para agir.

 

Se eu acho que quem produz, quem é autor, deve ser compensado pelo seu trabalho? Sim.

Se eu sou a favor da pirataria? Não. Corsários, piratas, buccaneers, só aqueles dos filmes a preto e branco, com o Errol Flynn. Não me identifico com actos de vandalismo, e por isso não admito que me defininam como crimisona. 

 

É o fim da rede como a conhecemos. Começa assim, com limitações (financeiras, éticas, do que seja), e depois avança. E, um dia, a rede - como nós a conhecemos, onde expressamos a nossa opinião por muito idiota que seja - vai terminar.

E os velhos do restelo vão bater palmas, e dizer que no tempo deles os livros e as cartas ligavam as pessoas, e que o lixo que é a rede se destruiu a si próprio.

Nesse dia eles vão rir de alegria. E nós vamos chorar pelo que perdemos.

 

(na rede cresce o movimento anti PL118. Os vários blogs que vão falando sobre este assunto encontram-se listados aqui)


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É sempre estranho quando a vida nos coloca, à frente, amigos que já foram há algum tempo e que entretanto deixaram de ser. Opções de vida diferentes, percursos diferentes, experiências diferentes. Pessoas diferentes.
(re)Encontrar amigos que não se vêm há muito é estranho. Já não somos o que éramos, já vivemos separados, aquilo que nos foi fazendo ser não é - impossível - aquilo que o outro viveu.

 

E fica a estranheza. O não saber como agir.

 


Como os legumes que se congelam e assim permanecem, frios e secos, definhando lentamente durante tempos e tempos, também as amizades congeladas - quando recuperadas - não voltam a ser o que eram. Perdeu-se algo. Perdeu-se tempo. Perdeu-se vida.

 

E sente-se a estranheza. O não saber como agir.

 


Tenta-se partir do ponto onde se ficou? Tenta-se, em dois ou três dedos (de conversa e de mão dada) voltar a fazer a ligação que havia antes? Volta-se atrás? Segue-se em frente?


Recuperar as ligações com pessoas que continuam importantes mas que deixaram de fazer parte é difícil, e delicado. Sente-se a obrigação de explicar, de esclarecer, de justificar, de quase pedir desculpa.
E pedir desculpa é sempre um mau início. É recomeçar onde não se parou.


Porque quando as pessoas são e fizeram parte de nós, continuaram a crescer connosco.

Mesmo que tenham deixado de fazer parte.

 


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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

(O título deste post está "entre aspas" porque a ideia não é minha mas do Carlos, e está bem explicada no post que escreveu há dias. Contudo, e ao ler o que o Carlos escreveu, não consegui deixar de pensar e retomar uma questão que me vem ocupando o espírito há algum tempo: para que uso eu o Facebook? E o Twitter? E o SAPO Campus? E as outras redes onde estou a construir a minha identidade?)

 

 

Há uma ou duas semanas atrás delineei aquilo que seria uma proposta para um workshop (a ter lugar numa conferência que irá decorrer em 2012) sobre Identidade Digital e Reputação. Como não li o Call até ao fim, acabei por estar a trabalhar para o boneco e por não enviar nada. Fiquei, contudo, com um documento estruturado onde, em duas ou três ações, procurava incentivar os outros (e eu própria) a refletir sobre o que fazemos com/nos diferentes espaços por onde andamos.

Os passos eram simples, e resumem-se em duas ou três linhas:

- ponto de situação sobre a nossa presença online (onde estamos, em que espaços, com que finalidade usamos cada serviço/plataforma);

- partilha do resultado do exercício anterior + exercício de auto-reflexão: onde estou agora na rede (que perfil/identidade estou a construir) e onde gostaria de estar daqui a uns 3-5 anos;

- o que fazer (em termos de identidade na rede) para chegar lá.

 

Dito assim parece idiota, mas o draft era detalhado e em inglês até tinha pinta. Anyway, foi um exercício que me ocupou algumas horas e me deu uma boa dor de cabeça, na medida em que me levou a pensar naquilo que faço em cada um dos meus espaços e a repensar na identidade que ando a construir na rede.

Questionei-me, por exemplo, sobre o sentido de manter um blog pessoal quando este espaço, que era para ser académico, já tem textos sobre casacos e projetos e desenhos. Questionei-me sobre a importância dos contactos que tenho no meu FB, e pensei sobre o que me disse um dia a Sara Batalha quando afirmou que a gestão da nossa rede de contactos é de extrema importância, e que é nela e por ela que definimos a nossa área de influência. 

 

Pensei nisso tudo. E pensei no que aconteceu há dias, quando um vídeo feito por uma aluna e divulgado pelo Carlos passou, em poucas horas, de poucas para imensas visualizações. Na forma como a identidade que construímos na rede - e que eu defendo também ser definida pela nossa rede de contactos e pela forma como, através dela, conseguimos divulgar e projetar o nosso trabalho de formas que por vezes não conseguimos prever - pode ser utilizada não apenas para socializar mas para construir uma reputação em termos profissionais.

Pensei nisto tudo. Pensei como, às vezes - e como diz o Eminem :P - basta uma oportunidade, uma única oportunidade, para fazermos a diferença.

E pensei que seria giro, fazer um dia um workshop onde se falasse e refletisse sobre estas coisas. Se alguém se quiser juntar a mim na conversa (que pode ser 2.beer, 2.tea ou 2.hotChocolate)... o desafio está lançado :)

 

 

*o post foi editado de forma a estar de acordo com o novo acordo (com o qual não concordo, mas é assim a vida...)

 

 




Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

 

 

 

O novo ano já tem doze dias. Doze, uma dúzia, duas mãos mais dois dedos, metade das horas que fazem um dia, o mesmo número dos meses do ano. Os dias que, segundo o povo, prevêem o tempo que vai estar de Janeiro a Dezembro.

Doze.

E o que fiz eu nestes doze dias? Pouco ou nada, ou muito - depende da forma como quiser encarar as coisas. Se pensar nestes dias como um estágio (não daqueles em que nos fazem arquivar documentos e servir cafés quando devíamos estar a desenvolver aplicações ou a construir a base de uma profissão, mas daqueles que os jogadores de futebol - essas figuras de relevo que são aquilo que metade dos rapazes do mundo gostaria de ser um dia - fazem antes de um jogo importante (ou não importante, não importa, que importantes são eles, esses jogadores, e o resto nem interessa) foram bastante produtivos.

Mas já me perdi. Do que é que eu falava? Ah, sim, dos doze dias que o ano já tem.

Doze.

Caramba... se eu tivesse incluído nas resoluções de ano novo (que não fiz) a resolução de escrever uma página da tese por dia, já teria doze páginas. Ou melhor, já teria mais doze páginas, a adicionar aos conjuntos de doze que já tenho escrito. E, agora que penso nisso, devia ter feito essa resolução. Essa e muitas outras, daquelas que incluem cortar no café, fazer ginástica, deixar de escrever com tantos parênteses, comer mais brócolos e passar a usar vestidos.

Mas não tive tempo (as últimas doze horas do décimo segundo mês do ano passei-as a tentar controlar a febre da minha filha), nem pachorra. As resoluções tomam-se no dia a dia, taco a taco, e não nas últimas horas de um ano que, dali a pouco, vai deixar de ser presente.

 

Perdi-me de novo, não perdi? Pois.

Estava a falar do ano novo, e dos doze dias que já passaram. Do meu estágio de doze dias. Dos dias em que fui mãe, e enfermeira, e dei colo e mimo; dos dias em que fui filha e fiz o que as filhas fazem, que é conversar com os pais e fazer-lhes companhia, provando-lhes (como se isso fosse preciso) que continuam a ser uma das coisas mais importantes da nossa vida; dos dias em que fiz bolachas e biscoitos e percebi que até posso ser incapaz de fazer um bolo, mas que as minhas bolachas - feitas de farinha e mimo e risos da minha filha - são as mais deliciosas que já comi na vida.

 

Doze dias.

 

A partir de hoje, o décimo segundo dia do primeiro mês do ano de dois mil e doze, tenho um lugarzinho no "lounge" do Obvious. Ainda tenho de decidir o nome desse espaço - gavetas e caixas já tenho, e estou com vontade de ter uma coisa nova - e quero fazê-lo até à décima segunda hora da segunda parte do décimo segundo dia deste novo ano.

 

Se calhar vou-lhe chamar "doze".

O que dizem? :)

 




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