Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011
há dias em que o tempo parece não avançar, aqueles dias em que fechamos os olhos e, sem entender como nem porquê, acordamos num local ou tempo diferentes.

nesses dias o nosso organismo é indiferente à quantidade de cafeína, nicotina ou ar fresco a que é exposto. são dias em que o nosso corpo se divide em cérebro e "resto", e em que as pulsações e os tremores das pálpebras não encontram correspondência na actividade cerebral. tudo é lento, tudo é mudo, tudo é sono.

este é um desses dias. em que as ideias e os pensamentos caem como algodão: sem som, sem força, sem repercussão.

não fosse a fonte deste sono a coisa mais doce da minha vida e este seria, sem dúvida, um dia em que lamentaria as horas que não dormi.
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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011

ainda me recordo do tempo em que o ano era pautado por três grandes eventos: a eleição da Miss Portugal, a edição dos Jogos sem Fronteiras e a escolha da canção que iria representar Portugal no Festival da Eurovisão.

para os que nasceram na década de 90 - ainda me custa admitir que há quem tenha nascido depois de 1979 - estes eventos devem parecer estranhos, um pouco como imaginar ir ao hiper e não encontrar papaia, quiwi/kivi/kkkkk ou acerola. mas sim, há quem tenha vivido nessa altura. e os telefones eram de disco, o código postal era meio caminho andado e enviava-se e recebiam-se cartas e postais. e NÃO HAVIA COMPUTADORES PORTÁTEIS. é. não havia. ou se havia eu não sabia, o que prova que a minha ignorância ao nível de tecnologias é algo que remonta aos dias do meu nascimento.

mas adiante...

 

o festival da canção era, só por si, um acontecimento nacional. a família e anexos sentava-se frente à TV mal sintonizada ("ó pá, mais para a direita, agora sim, não, não, desce do telhado que já vai começar!") para ver e ouvir o desfilar das 10/12 canções, uma delas do José Cid.

era um evento, quase. a escolha daquela canção (que nunca percebi quem escolhia) era algo de muito importante, ia representar o país na grande gala da Eurovisão. ia representar a nossa cultura, a nossa língua, o nosso povo. a nossa identidade cultural. era quase como a eleição do presidente da república com uma banda sonora mais catita.

hoje em dia já não é assim. o festival está entregue aos ex-operação triunfo, as letras já não são o que eram e, para tornar as coisas ainda mais dramáticas, temos "Os Homens da Luta" como fortes candidatos. é. os Homens da Luta. dá-lhes, Falâncio...

 

vou ficar por aqui, antes que me processem por estar a tentar fazer uma web-edition da Caderneta de Cromos. as coisas já não são mesmo o que eram, é um facto, e saudosismo à parte faz-me cócegas imaginar estes dois a representarem Portugal num festival internacional.

ou então até não. no estado em que as coisas estão, ter alguém que grite "e o povo, páh?" é capaz de ser mais coerente que ter alguém que fale do que descobrimos, do que fizémos e do como fomos grandes.

 

é que as coisas já não são o que eram.




Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011

 

 

mais nada


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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

Há uns meses (ou anos?) atrás, de um dia para o outro, o Mag.nolia anunciava que todos os bookmarks de todas as contas se tinham perdido. Numa dessas contas estavam guardados os bookmarks da minha turma de MMEd, que analisei.

Os fóruns do BlackBoard, cujas mensagens levei meses a analisar, já não estão acessíveis (pelo menos não estavam da última vez que os tentei ver).

Há minutos, na timeline da minha conta do twitter, o Carlos anunciava que "O velhinho servidor blogs.ca.ua.pt vai ser desligado." Nesse servidor de blogs estão guardados (ainda que dormentes) os blogs de MMED, blogs que serviram de base à minha dissertação de mestrado.

Assim, e num curto espaço de tempo, tudo aquilo que tratei e trabalhei no meu estudo - e que me deu o acesso ao grau de Mestre - desaparece da rede. Ou, se não desaparece, fica definitivamente esquecido num qualquer backup de algum sistema.

 

A informação (os dados, os textos, as palavras) deixará de existir. Perder-se-á fisicamente. E é aqui que reside - pelo menos do meu ponto de vista - a grande diferença entre informação e conhecimento.

É que os dados podem ir com os pardalitos, mas o conhecimento permanece, criou raízes fundas. Os meus colegas continuam a escrever nos seus blogs, e a incutir o espírito Web 2.0 nas escolas onde leccionam. A comunidade, ainda que diminuída, continua a partilhar informação e a desenvolver-se. O conhecimento que surgiu e cresceu a partir daquela informação - e que ficou para sempre (?) registado no meu trabalho, no da Sannya, no da Margarida Lucas - espalhou-se, tornou-se orgânico, cresceu.

De um momento para o outro as nossas dissertações entram no campo da ficção :). Mas isso é bom. É na ficção que nascem as ideias, as trocas, os mundos que não são deste mundo.

E isso até pode não ser informação. Mas - do meu ponto de vista - é, definitivamente, conhecimento.




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