Domingo, 21 de Novembro de 2010

Ainda me recordo de umas aulas de introdução à informática, no 1º ano de NTC, em que aprendíamos um pouco de Pascal. Lembro-me, principalmente, do if/then que tínhamos de usar para fazer uma coisa qualquer e que, na altura, me deixou uma enorme aversão e admiração por tudo o que tivesse a ver com coisas informáticas (engenheiros incluídos).

Deve ser por isso que, quando não tenho nada com que ocupar o cérebro, penso nos ifs e thens que têm conduzido a minha vida:

- se eu não tivesse tirado 60% na prova específica de português, não teria mudado a minha candidatura ao ensino superior e não teria concorrido e entrado em NTC; then, estaria agora a trabalhar em relações internacionais , ramo de relações culturais e políticas (ou estaria no desemprego, com um curso em relações internacionais, ramo de relações culturais e políticas);

se eu não tivesse entrado em NTC não teria ficado por Aveiro, não teria conhecido a minha cara-metade, não teria namorado e casado e tido a Mariana e, then, seria agora algo parecido com a morena do sexo e a cidade (uma mulher chata mas incrivelmente bem vestida);

se eu tivesse aceite a primeira proposta de trabalho que me foi oferecida - naquele tempo elas ainda apareciam quando terminávamos o curso - não teria ficado um ano em casa; then, não teria dado explicações a um miúdo que passou a ser, no final desse ano, o filho do meu novo patrão;

se eu não tivesse tido esse patrão, não me teria despedido para ir trabalhar em publicidade; se não me tivesse despedido do trabalho em publicidade, não teria ido trabalhar em artes gráficas; then, não teria chegado à conclusão que aquilo não era para mim e não me teria inscrito no mestrado em Multimédia em Educação;

se eu não me tivesse inscrito no MMEd, não me teria despedido das artes gráficas para ir trabalhar para um instituto superior; se não tivesse ido trabalhar para um instituto superior, não teria dado aulas, bolonha não teria importância e não me teria candidatado ao doutoramento; se não me tivesse candidatado ao doutoramento não teria concorrido a bolsa; se não tivesse concorrido a bolsa, logicamente não a teria, não me teria despedido e, then, não estaria agora a estudar a tempo inteiro.

 

Conclusões?

Primeiro, despeço-me demasiadas vezes.

Segundo... se tiverem 60% na prova específica de português não desanimem: quer dizer que, anos mais tarde, poderão estar na UA, orientados por doutores 5*, a ler e a trabalhar numa área que vos fascina ;)


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Sexta-feira, 12 de Novembro de 2010

hoje apetece-me sair mas cedo e ir ver montras quentinhas: daquelas que têm casacos, pão, meias, chocolates e livros com muitas páginas.

hoje o meu pai faz anos e, daqui a pouco, vou estar lá em casa a comer bolo de chocolate e a não beber o portinho da praxe.

 

hoje é sexta-feira. o DeCA está silencioso, como se todas as pessoas que aqui andam todos os dias tivessem decidido adormecer um bocadinho enquanto não se chega ao dia seguinte.

 

amanhã é sábado, dia que cheira a limpezas, a arrumos, a Mariana, a lençóis lavados e a vapor de água.

depois é domingo, e segunda, e terça, e quarta e quinta, até chegarmos de novo a sexta.

 

mas como ainda falta uma semana... acho que vou aproveitar a sexta que é hoje e sair para ver casacos.


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Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010

os meus posts têm sido tão moralistas e catequéticos que devo ter passado a imagem que sou uma pessoa entediante. e sou :P. posto isto, continuarei a escrever mas, desta vez, para FALAR BEM desta coisa da presença na rede.

 

há dias, numa das minhas leituras, fui parar a um texto da senhora boyd (com que simpatizo nem que seja por escrever o nome próprio em minúsculas) que me deixou a pensar.

no seu post "Risk Reduction Strategies on Facebook", boyd apresenta o caso de duas jovens que - ao contrário do que é comum - utilizam o seu mural do Facebook como o visor dos telemóveis antigos onde só cabia uma mensagem de cada vez.

caso #1 - "Mikalah uses Facebook but when she goes to log out, she deactivates her Facebook account. She knows that this doesn’t delete the account – that’s the point. She knows that when she logs back in, she’ll be able to reactivate the account and have all of her friend connections back. But when she’s not logged in, no one can post messages on her wall or send her messages privately or browse her content. But when she’s logged in, they can do all of that. And she can delete anything that she doesn’t like."

caso #2 - "Shamika doesn’t deactivate her Facebook profile but she does delete every wall message, status update, and Like shortly after it’s posted. She’ll post a status update and leave it there until she’s ready to post the next one or until she’s done with it. Then she’ll delete it from her profile. When she’s done reading a friend’s comment on her page, she’ll delete it. She’ll leave a Like up for a few days for her friends to see and then delete it."

 

se isto à primeira vista parece estranho, à segunda também. mas quando lemos a justificação que as meninas apresentam a coisa até passa a fazer sentido. Mikalah defende que está a tentar minimizar os riscos quando não está online para os enfrentar. quanto à Shamika (e de repente senti-me num restaurante japonês a tentar escolher pratos), diz que quer evitar problemas e, por isso, deixa as mensagens no mural enquanto têm actualidade e interesse. quando a/o perdem, apaga.

 

são maneiras no mínimo unusuals (ia dizer inusuais, num paralelo com um colapsar que ainda hoje me dá riso) de gerir uma identidade. diria, até, que neste caso as raparigas não usam o Facebook como um meio de construção da identidade mas, antes, como uma parede onde vão colando cartazes um por cima do outro.

e que, de certa forma, vão contra a ideia que eu tenho de presença na rede: não um universo alternativo, não um escape, mas antes um registo, uma espécie de e-diário ou e-book. um filme, uma auto-biografia. algo que, um dia, deixaremos para outros verem.

talvez por isso tenha gostado tanto deste vídeo. porque representa, em poucos minutos e debaixo de uma música bem mandada, aquilo que é/ que pode ser a nossa vida na rede. desde um sign in, até a um "logoff".

 

 

espero que este post já não tenha sido tão chato. se foi, a culpa é do Luís Pedro, que me enviou o vídeo enquanto eu estava a tentar ler alguma coisa.


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Terça-feira, 2 de Novembro de 2010

se há coisa que me mexe com os sistemas (simpático e parasimpático) é a visão codigo-barrista do mundo: tudo deve ser visto, analisado e compreendido a preto e branco. suspeito, até, que são visões moldadas pelo tempo em que a TV não tinha cores (nem mesmo o aparelho) e em que o telefone era de disco e invariavelmente a preto, ou branco. quem tivesse "cunha" lá conseguia um cinzento, mas mesmo assim não era muito comum.

irrita-me, por isso, aquela coisa do "ou é ou não é", do "mas vais ou ficas?" e mesmo do "masculino" ou "feminino". as coisas "podem ser", podemos escolher "ir indo", e no que diz respeito ao sexo as categorias já não são assim tão estanques. mas sigamos para o que interessa, que falar sobre sexo não fica bem num blog deste tipo...

 

uma das divisões mais grosseiramente erróneas que encontrei nestas coisas das redes e das identidades e isso é aquela trazida até nós pelo Sr. Prensky e onde se caracterizavam os indivíduos como sendo imigrantes ou nativos. não é bonita, não, mas pegou de estaca e agora até temos um programa da RTP2 (que parece ser bem interessante, por sinal) que se chama, precisamente... "Nativos Digitais". Tá mal. estamos a persistir numa linguagem que até o Sr. Prensky já não considera a mais correcta. Tá mal/2

foi por isso com grande alegria e até alguma satisfação que li, hoje, este texto onde se propõe uma nova visão da coisa: não mais imigrantes ou nativos, poderemos ser agora "visitantes ou residentes" (ok, ok, temos a e b de novo, mas o texto é interessante e dá a volta à coisa de uma maneira que chega a ser agradável)

 

eis o que diz o Sr. Dave White sobre os Residentes:

"The web supports the projection of their identity and facilitates relationships. These are people who have an persona online which they regularly maintain. This persona is normally primarily in a social networking sites but it is also likely to be in evidence in blogs or comments, via image sharing services etc  (...) they will also use the web to socialise and to express themselves. (...)They often use the web in all aspects of the of their lives; professionally, for study and for recreation. In fact the resident considers that a certain portion of their social life is lived out online. The web has become a crucial aspect of how they present themselves and how they remain part of networks of friends or colleagues."

 

sobre os visitantes refere que:

"The Visitor is an individual who uses the web as a tool in an organised manner whenever the need arises. (…)They are sceptical of services that offer them the ability to put their identity online as don’t feel the need to express themselves by participating in online culture in the same manner as a Resident. In effect the Resident has a presence online which they are constantly developing while the Visitor logs on, performs a specific task and then logs off."

 

Isto, do ponto de vista da gestão da identidade, é muito interessante. se complementarmos, ainda,  com os comentários de Bryony Taylor a este texto, poderemos chegar à conclusão (ou ao ponto de partida) de que todos temos em nós um visitante e um residente na medida em que esta metáfora "(...) shows that we all have different levels of engagement and expertise when it comes to using digital technology. "

é uma ideia fofinha, esta. não sermos julgados pela nossa idade nem pelo grau de geekyness de cada um. sermos, em diferentes ambientes, residentes ou visitantes.

 

mais do que saber que tecnologias usamos será, assim, importante saber quanto tempo/de que forma/em que contextos trabalhamos com elas. e, mesmo dentro de cada uma, saber estamos para ficar ou se estamos apenas de visita.

nem que seja através de uma visão codigo-barrista da coisa: entramos directamente no FB ou temos de fazer login? e na nossa página do twitter? e no nosso blog?

 

é que esta questão de ter o login gravado ou não (quando dá para o fazer) pode ser um pouco como fechar portas à chave: se vamos a determinado sítio com frequência, a porta fica apenas "no trinco". se só lá vamos ocasionalmente, aferrolhamos a porta de cada vez que saímos. 

e se pensam que não é bem assim, pensem então nisto: lá em casa, a porta da casa de banho está fechada ou apenas encostada?

 

a poisé, bebé...




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