O novo ano já tem doze dias. Doze, uma dúzia, duas mãos mais dois dedos, metade das horas que fazem um dia, o mesmo número dos meses do ano. Os dias que, segundo o povo, prevêem o tempo que vai estar de Janeiro a Dezembro.
Doze.
E o que fiz eu nestes doze dias? Pouco ou nada, ou muito - depende da forma como quiser encarar as coisas. Se pensar nestes dias como um estágio (não daqueles em que nos fazem arquivar documentos e servir cafés quando devíamos estar a desenvolver aplicações ou a construir a base de uma profissão, mas daqueles que os jogadores de futebol - essas figuras de relevo que são aquilo que metade dos rapazes do mundo gostaria de ser um dia - fazem antes de um jogo importante (ou não importante, não importa, que importantes são eles, esses jogadores, e o resto nem interessa) foram bastante produtivos.
Mas já me perdi. Do que é que eu falava? Ah, sim, dos doze dias que o ano já tem.
Doze.
Caramba... se eu tivesse incluído nas resoluções de ano novo (que não fiz) a resolução de escrever uma página da tese por dia, já teria doze páginas. Ou melhor, já teria mais doze páginas, a adicionar aos conjuntos de doze que já tenho escrito. E, agora que penso nisso, devia ter feito essa resolução. Essa e muitas outras, daquelas que incluem cortar no café, fazer ginástica, deixar de escrever com tantos parênteses, comer mais brócolos e passar a usar vestidos.
Mas não tive tempo (as últimas doze horas do décimo segundo mês do ano passei-as a tentar controlar a febre da minha filha), nem pachorra. As resoluções tomam-se no dia a dia, taco a taco, e não nas últimas horas de um ano que, dali a pouco, vai deixar de ser presente.
Perdi-me de novo, não perdi? Pois.
Estava a falar do ano novo, e dos doze dias que já passaram. Do meu estágio de doze dias. Dos dias em que fui mãe, e enfermeira, e dei colo e mimo; dos dias em que fui filha e fiz o que as filhas fazem, que é conversar com os pais e fazer-lhes companhia, provando-lhes (como se isso fosse preciso) que continuam a ser uma das coisas mais importantes da nossa vida; dos dias em que fiz bolachas e biscoitos e percebi que até posso ser incapaz de fazer um bolo, mas que as minhas bolachas - feitas de farinha e mimo e risos da minha filha - são as mais deliciosas que já comi na vida.
Doze dias.
A partir de hoje, o décimo segundo dia do primeiro mês do ano de dois mil e doze, tenho um lugarzinho no "lounge" do Obvious. Ainda tenho de decidir o nome desse espaço - gavetas e caixas já tenho, e estou com vontade de ter uma coisa nova - e quero fazê-lo até à décima segunda hora da segunda parte do décimo segundo dia deste novo ano.
Se calhar vou-lhe chamar "doze".
O que dizem? :)
e andamos nós a criar uma filha para ist