A noite passada sonhei com chuva. Não sei se foi por a estar a ouvir como som de fundo (caiu forte e bem nessa noite) ou se foi apenas porque gosto de chuva, mas o certo é que sonhei com ela.
No meu sonho, saí de uma sala (que não era a minha mas que, como a minha, tinha janelas altas com portadas brancas) e vim para fora, para uma espécie de varanda-rua que só existe no mundo onde vivemos quando estamos a dormir. E lembro-me, ainda, que a janela do meu sonho tinha muitos vidros, pequenos e limpos - é incrível como me consigo recordar destes detalhes e nunca me lembro onde deixei o carro -, e que se abriu para me deixar passar.
E andei à chuva. Não liguei a quem me olhava com ar espantado e virei o rosto para o céu, sem me preocupar com o rímel ou a sombra ou essas coisas todas que mesmo nos sonhos teimo em usar. E senti a chuva a molhar-me a cara e empapar-me o casaco preto que trazia vestido, correndo pelo pescoço como se essa fosse a coisa mais natural e mais agradável do mundo. E fechei os olhos. E senti-me bem.
Segundo os manuais dos sonhos que andam pela net, dançar ou caminhar à chuva significa mudança, bom presságio, coisa boa que está para vir. Até pode ser, não sei. Para mim, quer dizer que gosto de andar à chuva.
Mesmo que não goste de sentir os pés molhados.
e andamos nós a criar uma filha para ist