Se eu fosse um tipo (no sentido de tipo, não de gajo) seria do tipo "fácil de contentar" (no sentido de ficar contente, e não de me contentar com qualquer coisa).
São muitas as coisas grandes e pequenas que conseguem tornar o meu dia num dia grande/bom: darem-me a "mão" numa fila de trânsito, arranjar estacionamento fácil (i.e. que não requeira 32 manobras até conseguir enfiar o AX num espaço onde cabia um Audi), ouvir "Bom dia!"... entrar na sala e sentir o cheiro a café fresco... coisas assim. E, depois, há as coisas "mais grandes", como receber um mail a dizer que está tudo bem, como aceitarem um paper que deu trabalho a escrever.
A vida é um pouco assim: se estamos à espera de grandes coisas, de grandes acontecimentos, corremos o risco de perder a perspetiva e ignorar - ou mesmo deixar de ver - as pequenas coisas que têm muito, tanto valor.
Posto isto, devo ainda dizer que - para além de ficar contente com facilidade - não sou pessoa de me gabar. Penso, até, que padeço da doença tão portuguesa que leva o comum cidadão a desvalorizar os feitos alcançados ("Sim, o bolo está mais ou menos, mas esqueci-me de juntar -inserir aqui o que quer que se junte aos bolos - e não ficou assim tão bom") e a não acreditar nos elogios que se recebe: se fomos escolhidos é porque não havia mais ninguém disponível, se recebemos um prémio é porque, entre o péssimo, o nosso trabalho/feito era o menos mau.
É, por isso mesmo, que hesito há meses em atribuir uma nova tag aos posts que publico aqui: a tag UniverCidade :). De há uns tempos para cá, num outro número deste Jornal, é publicado em forma de artigo um ou outro post meu. E isso é, para mim, um grande motivo de satisfação e contentamento ver algo que eu escrevi aqui impresso em papel. Num jornal. Em papel. É tão mas tão bom... :)
Para além de ficar contente enquanto pessoa, fico também satisfeita enquanto investigadora: estou a utilizar uma plataforma em que acredito para partilhar coisas que acredito/penso, e estou a provar - nem que seja a mim mesma e a meia dúzia de pessoas - que uma plataforma associada a uma Instituição de Ensino não tem de ser exclusivamente utilizada para fins académicos, para publicar coisas sérias, mas que pode ser um bom/um excelente veículo para a transmissão de ideias, de trabalhos, para a construção de uma reputação e uma identidade na rede.
E pronto!
Bom fim-de-semana ;)
e andamos nós a criar uma filha para ist